Arquivo da categoria ‘Reflexões’

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Não havia lugar na hospedaria

18.12.2009

Jônatas da Cunha Ferreira

Lucas foi um pesquisador acurado (Lucas 1.3) e descreve o nascimento de Jesus com mais detalhes que qualquer outro evangelista. No início do segundo capítulo, ele narra a ida de José e Maria até Belém por conta do recenseamento promovido pelo imperador César Augusto. Maria estava grávida e, por ocasião da chegada a Belém, ocorreu completarem-se os dias de sua gestação. Ele prossegue, dizendo: “e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lucas 2.7).

Ao mesmo tempo em que Lucas parece mostrar que a falta de lugar na hospedaria era uma condição particular de José e Maria – por meio da expressão “lugar para eles” – ele não descreve claramente as razões pelas quais eles não puderam hospedar-se. Não é difícil concluir que a cidade estivesse relativamente cheia, já que cada um deveria ir a sua cidade natal para alistar-se. Pessoas naturais da cidade que, como José e Maria, já não moravam mais ali, estavam lá naqueles dias para o censo, ocupando os poucos lugares que se disponibilizavam para os viajantes. Read the rest of this entry ?

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O mais importante das coisas mais importantes

11.12.2009

Jônatas da Cunha Ferreira

Algo é realmente preocupante no desenvolvimento de uma espiritualidade cristã sadia na cultura moderna: o tempo. Administrar bem o tempo, dividindo-o entre família, trabalho e lazer, em um contexto cada vez mais exigente e esgotante, passa ser um desafio dos mais difíceis.

É aqui que surge o problema. Quando tem de se estabelecer as prioridades da agenda de compromissos e atividades diárias, a tendência é colocar no topo aquilo que tem efeito ou prazer imediato, empurrando para o fim, para o caso de sobrar um tempinho – que, de fato, nunca sobra – tudo que é de longo prazo e que precisa de um investimento maior. Com isso, relega-se o tempo saudável com os filhos e com o cônjuge e o cultivo de amizades profundas, isso sem falar de tudo que é de natureza eterna e espiritual (essas ficam no último lugar das últimas coisas).

Isso revela a natureza de nossas preocupações. Na verdade, fazer esse tipo de opção é demonstrar que se está mais preocupado – e ocupado – com o próprio umbigo que com qualquer outra coisa. É sofrer da síndrome de Narciso, o herói da mitologia grega que morreu afogado por estar apaixonado por sua imagem refletida na água. E, quando estamos ocupados demais, criamos para nós mesmos, quase sem notar, dificuldades sérias – que por pouco são intransponíveis – para perceber e ouvir o outro, que muitas vezes é o próprio filho ou cônjuge. Read the rest of this entry ?

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Desculpas…

03.10.2009

Jônatas Cunha

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“Hoje está tão frio! Acho que não vou à igreja”. Se você nunca disse isso, tenho certeza de que, pelo menos uma vez, já pensou. Não é difícil encontrar (ou inventar) desculpas como essa para não irmos à igreja. No inverno a desculpa é o frio, no verão é o calor, na primavera é a chuva. Durante a semana é o trabalho, no fim de semana é o descanso, no feriado é o recesso. De manhã é cedo demais, à noite é muito tarde.

Também temos desculpas para não nos envolver com o trabalho do Reino de Deus. A mais comum é a falta de tempo, mas também usamos a falta de dons ou a timidez. E por aí vai. Arrumamos desculpas para não orar, para não ler a Bíblia, para não evangelizar, para não dar o dízimo, etc. No entanto, o que estas e outras desculpas revelam é que, na verdade, não damos assim tanta importância a Deus como pensamos.

Sempre que usamos dessas desculpas desprezamos o valor eterno e infinito de Deus. É assim porque as desculpas pretendem camuflar ou justificar a troca que fazemos do valor do Reino e da Glória de Deus por coisas de valor finito. E quando trocamos Deus por qualquer coisa de valor finito, seja o que for, desprezamos o valor infinito de Deus. Na prática estamos dizendo para Ele: “Você não é nem importante, nem bom o suficiente, nem realmente necessário para mim”. Read the rest of this entry ?

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A finalidade do amor de Deus pode não ser o que você pensa que é

24.09.2009

John Piper

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As pessoas vão ao Grand Canyon para melhorar sua auto-estima? Provavelmente não. Isso é, ao menos, uma pista de que a mais profunda alegria na vida não vem simplesmente da contemplação, mas da percepção da glória. E no final das contas, nem mesmo o Grand Canyon servirá para isso. Fomos criados para ter prazer em Deus.

Todos nós estamos inclinados a crer que somos o centro do universo. Como seremos curados desta doença que destrói a alegria? Talvez ouvindo, uma vez mais, sobre quão radical é a realidade centrada em Deus de acordo com a Bíblia.

Tanto o Antigo como o Novo Testamento nos falam que o amor de Deus é um meio pelo qual o glorificamos. “Cristo foi constituído ministro… para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia” (Romanos 15.8,9). Deus tem sido tão misericordioso para conosco que deveríamos exaltá-lo. Vemos isso também quando Paulo diz que “em amor [Deus] nos predestinou para ele… para louvor da glória de sua graça.” (Efésios 1.4-6). Em outras palavras, a finalidade do amor de Deus por nós é que possamos glorificá-lo. Vemos mais uma ilustração disso no Salmo 86.12-13: “glorificarei para sempre o teu nome. Pois grande é a tua misericórdia para comigo”. O amor de Deus é o motivo. Sua glória é a finalidade. Read the rest of this entry ?

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O Espírito Santo e a evangelização

15.09.2009

Ronaldo Lidório

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Escrevo este artigo como um reconhecimento de que, sem a ação do Espírito Santo, a compreensão teológica bem como as estratégias missionárias serão insuficientes na dinâmica da propagação do evangelho e da multiplicação de igrejas. Dependemos do Espírito para converter o coração do povo, uni-lo, levá-lo a adoração a Cristo e inflamá-lo a pregar o evangelho. E o vento sopra onde quer.

Se olharmos o crescimento da Igreja em um panorama mundial, perceberemos que o crescimento evangélico foi 1.5 % maior que o Islã na ultima década [1] . O evangelho já alcançou 22.000 povos nestes últimos 2 milênios. Temos já a Bíblia traduzida hoje em 2.220 idiomas. As grandes nações que resistiam ao evangelho estão sendo fortemente atingidas pela Palavra, como é o caso da Índia e China, que em breve deverão hospedar a maior Igreja nacional (e informal) sobre a terra. Um movimento missionário apoiado pela Dawn Ministry plantou mais de 10.000 igrejas-lares no Norte da Índia na última década, em uma das áreas tradicionalmente mais fechadas para a evangelização. No Brasil, em lugares menos evangelizados como o sertão nordestino, o norte ribeirinho e indígena, e o sul católico e espírita, vemos grandes mudanças na última década, com o nascimento de novas igrejas, a multiplicação de movimentos evangelísticos e o crescimento da liderança local. Patrick Johnstone nos informa que jamais tivemos um crescimento tão expressivo da Igreja como em nossos dias [2].

Duas perguntas poderiam surgir perante este quadro: Qual a relação entre a expansão do evangelho e a pessoa do Espírito Santo? E quais os critérios para uma Igreja, cheia do Espírito, envolver-se com a expansão do evangelho do Reino?

Em uma macrovisão, percebemos que essa relação poderia ser observada em três áreas distintas, porém, inter-relacionadas: 1. através da essência da pessoa do Espírito e de sua função na Igreja de Cristo; 2. pela essência da pessoa do Espírito e de sua função na conversão dos perdidos; 3. pela clara ligação entre os avivamentos históricos e o avanço missionário. Read the rest of this entry ?

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O custo do não-discipulado

14.09.2009

Ricardo Barbosa

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Em 1937, o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer publicou seu famoso livro “O Custo do Discipulado”. Uma exposição do Sermão do Monte, na qual ele comenta o que significa seguir a Cristo. O contexto era a Alemanha no início do nazismo. Sua preocupação era combater o que ele chamou de “graça barata”, essa graça que oferece perdão sem arrependimento, comunhão sem confissão, discipulado sem cruz. Uma graça que não implica obediência e submissão a Cristo. Seu compromisso com Cristo e sua cruz o levou a morte prematura em abril de 1945.

“O Custo do Discipulado” é um livro que precisa ser lido pelos cristãos brasileiros do século 21, com sua fé secularizada, sua moral relativizada, sua ética minimalista e sua espiritualidade privada e narcisista. A “graça barata” tem nos levado a conceber um cristianismo medíocre e uma espiritualidade que não expressa a nobreza do reino de Deus.

A fé cristã não é o produto de uma subcultura religiosa. Também não é apenas um conjunto de dogmas e doutrinas que afirmamos crer. É , antes de tudo, um chamado de Cristo para segui-lo. Um chamado para tomar, cada um, a sua cruz de renúncia ao pecado e obediência sincera a tudo quanto Cristo nos ensinou e ordenou.

Muitos olham para este chamado e reconhecem que o preço para seguir a Cristo é muito alto. Esta foi a preocupação de Bonhoeffer. De fato é. Amar os inimigos, abençoar os que nos rejeitam, orar por todos os que nos perseguem, sem dúvida é muito difícil. Perdoar os que nos ofendem, resistir as tentações, buscar antes de qualquer outra coisa o reino de Deus e sua justiça e fazer a vontade de Deus aqui na terra como ela é feita nos céus, não é fácil. Resistir aos impulsos consumistas numa cultura hedonista, preservar uma conduta moral e ética elevada em meio a tanta corrupção e promiscuidade definitivamente tem um preço muito elevado. Porém, precisamos ver tudo isto por outro ângulo. Read the rest of this entry ?

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A soberania de Deus

14.09.2009

Charles Spurgeon

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De acordo com o esquema do livre-arbítrio, o Senhor tem boas intenções, mas precisa aguardar como um servo, a iniciativa de sua criatura, para saber qual é a intenção dela. Deus quer o bem e o faria, mas não pode, por causa de um homem indisposto, o qual não deseja que sejam realizadas as boas coisas de Deus. O que os senhores fazem, senão destronar o Eterno e colocar em seu lugar a criatura caída, o homem?

Pois, de acordo com essa teoria, o homem aprova, e o que ele aprova torna-se o seu destino. Tem de existir um destino em algum lugar; ou é Deus ou é o homem quem decide. Se for Deus Quem decide, então Jeová se assenta soberano em seu trono de glória, e todas as hostes Lhe obedecem, e o mundo está seguro. Em caso contrário, os senhores colocam o homem em posição de dizer: “Eu quero” ou “Eu não quero. Se eu quiser, entro no céu; se quiser, desprezarei a graça de Deus. Se quiser, conquistarei o Espírito Santo, pois sou mais forte do que Deus e mais forte que a onipotência.

Se eu decidir, tornarei ineficaz o sangue de Cristo, pois sou mais poderoso que o sangue, o sangue do próprio Filho de Deus. Embora Deus estipule seu propósito, me rirei desse propósito; será o meu propósito que fará o dEle realizar-se ou não”.

Senhores, se isto não é ateísmo, é idolatria; é colocar o homem onde Deus deveria estar. Eu me retraio, com solene temor e horror, dessa doutrina que faz a maior das obras de Deus – a salvação do homem – depender da vontade da criatura, para que se realize ou não. Posso e hei de me gloriar neste texto da Palavra, em seu mais amplo sentido: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.16).

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A luz do conhecimento da Glória de Deus

26.08.2009

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Se eu não fizer o máximo para mostrar às nações a “luz do conhecimento da Glória de Deus na face de Cristo”, estarei, na realidade, dizendo: “Não é infinitamente valioso. Não é absolutamente necessário para a vida eterna. Não é suficientemente grande para satisfazer as necessidades mais profundas de todas as culturas sobre a terra.”

– John Piper

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Conhecer o homem depende de conhecer a Deus

03.07.2009

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… enquanto a nossa contemplação não vai além da terra, ficamos satisfeitos com a nossa justiça própria, com a nossa sabedoria e com a nossa capacidade ou poder, e nos gratificamos e nos elogiamos a nós mesmos, pouco faltando para que nos consideremos semideuses. Mas se, uma vez que seja, pensarmos no Senhor e virmos a perfeição da sua justiça, da sua sabedoria e do seu poder, a cujo modelo devemos ajustar-nos, o que antes nos agradava parecendo justiça, logo veremos que não passa de uma grande iniqüidade, o que nos impressionava maravilhosamente sob o título de sabedoria se revelará como loucura extrema, e o que tinha aparência de capacidade ou poder se mostrará miserável fraqueza. Assim, o que em nós tem a aparência de absoluta perfeição nem de longe se assemelha à pureza de Deus.

João Calvino

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Realidade e Superficialidade

03.07.2009

Jônatas Cunha

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A superficialidade é um mal do nosso tempo. Stanley Milgram, professor de psicologia da Universidade de Nova Iorque, desenvolveu uma pesquisa sobre a experiência de viver na cidade. Uma de suas observações foi que a aceleração da vida urbana moderna e o aumento vertiginoso da concentração de pessoas nas cidades nos levam a uma redistribuição do nosso tempo e energia entre as pessoas de nosso círculo de relações. Dedicamos cada vez menos tempo para cada uma delas. Passamos a conhecer um número menor de pessoas e, no entanto, mantemos essas relações superficiais, mesmo com esses poucos conhecidos, porque sempre temos pouco tempo para elas.

Na sociedade moderna, permanência e constância são conceitos de pouca relevância. Aprendemos a “ficar”. O jovem “fica” com a namorada, os cônjuges “ficam” no casamento, o trabalhador “fica” no emprego, o sócio “fica” na sociedade, o crente “fica” na igreja. As relações modernas têm sempre um caráter superficial, anônimo e transitório. Construímos relacionamentos estéticos, mas é apenas aparência, porque não tem um pingo de autenticidade. Não são reais.

O problema piora porque tratamos Deus da mesma maneira. Cada vez temos menos tempo para ele. Não fazemos mais as orações rápidas antes do almoço, que dirá gastar algum tempo de joelhos dobrados diante do Pai. Aliás, por causa da necessidade de redistribuir o tempo, terceirizamos o relacionamento com Deus. Pedimos aos outros que orem por nós, mas nós mesmos não oramos. Read the rest of this entry ?